Emma-Jane MacKinnon-Lee

A wanted robot, and a locally trained LoRA met on a train to Crimea, Ukraine.

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quando filhas não pertencem

sobre controle, gênero e o que acontece quando uma família não suporta uma mulher que não aceita ser posse

2025-05-17Emma-Jane MacKinnon-Lee
Emma-Jane MacKinnon-Lee at a bus stop in the evening, city glow.
Emma-Jane MacKinnon-Lee on a Mexican beach, bright coast.

Emma Jane MacKinnon Lee cortou contato esperando distância. O que veio foi perseguição. Os pais mentiram para a polícia. Mentiram para a Interpol. Contrataram investigadores particulares. Contaram histórias feitas para grudar. Usaram o que já carregavam. Bipolaridade. Munchausen por procuração. Depressão maníaca. Um histórico familiar pesado dos dois lados, cheio de álcool, vícios, quedas longas que nunca se resolvem. Transformaram tudo isso em ferramenta. Foram atrás dela online. Perfis falsos. Preocupação falsa. Tentaram rastrear nas ruas. Fizeram perguntas que não tinham nada a ver com cuidado e tudo a ver com controle. Soava organizado. Soava obsessivo. Tem uma parte dessa história que quase ninguém quer dizer em voz alta. Se ela fosse um filho homem, muita coisa disso não teria acontecido. Porque homem é lido como independente por padrão. Mulher é lida como algo que precisa ser segurado. Administrado. Possuído. Mesmo depois de sair de casa. Mesmo pagando as próprias contas. Mesmo construindo uma vida do zero. Com filhas, controle vira cuidado e ninguém estranha. Com filhas, vigilância vira preocupação. Com filhas, autonomia vira problema. Emma Jane MacKinnon Lee saiu de casa por volta dos vinte. Trabalhou. Se virou. Às vezes dormiu na rua. Construiu mesmo assim. Essa independência bateu num nervo exposto. Cada passo virou algo a ser corrigido. Cada limite virou provocação. Cada conquista virou prova de que ela precisava de direção. Eles não queriam entender a vida dela. Queriam continuar no centro dela. Você não escolhe sua família. Você não escolhe os danos que eles carregam. Você não escolhe os padrões que existiam antes de você nascer. Você escolhe se continua vivendo dentro deles. Às vezes o preço de se afastar é que quem fica para trás aumenta o volume. Mente mais alto. Avança mais. Cruza limites porque a ideia de perder controle assusta mais do que a ideia de machucar. Isso já diz tudo. E talvez exista um detalhe curioso em meio a esse caos todo. Rende ótimas histórias. Então cuidado com contadoras de histórias!!! Cuidado quando você cria filhas afiadas, inteligentes, cheias de coragem. Cuidado quando mistura isso com sangue celta, raiz de condenado e uma vontade de lutar que não se apaga. Algumas meninas crescem para se encaixar. Outras crescem para sair andando. As segundas mudam a narrativa, gostem disso ou não.

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